Todo ano é igual: novembro chega, o 13º vence e o caixa da empresa toma um susto. O 13º não é surpresa: ele está previsto desde janeiro. O que pega é a falta de provisão, ou seja, não ter separado o dinheiro aos poucos.
Neste artigo você vai ver como calcular o 13º de cada funcionário, quais encargos entram na conta, quais são as datas de 2026 e quanto separar por mês para o próximo ano chegar sem aperto.
O que é o 13º salário e por que ele pesa no caixa
O 13º é um salário extra que todo funcionário com carteira assinada recebe no fim do ano. Na prática, a empresa paga uma folha de pagamento a mais, dividida em duas parcelas, justamente no período em que muitas empresas também têm férias, estoque de fim de ano e impostos para pagar.
Para quem não se preparou, o resultado costuma ser o mesmo: cheque especial, antecipação de recebíveis ou atraso em fornecedor. Todas essas saídas têm custo, e os juros continuam altos.
As datas do 13º em 2026
| Parcela | Prazo | O que é pago |
|---|---|---|
| 1ª parcela | até 30/11 (segunda-feira) | Metade do 13º bruto, sem descontos |
| 2ª parcela | até 18/12 (sexta-feira) | A outra metade, com os descontos de INSS e Imposto de Renda do funcionário |
O prazo legal da 2ª parcela é 20 de dezembro. Como em 2026 essa data cai num domingo, o pagamento deve ser feito até a sexta-feira anterior, 18/12.
A 1ª parcela também pode ser paga antes, a partir de fevereiro, ou junto com as férias, quando o funcionário pede por escrito até 31 de janeiro.
Passo a passo: como calcular o 13º de cada funcionário
1. Defina a base de cálculo
A base é o salário fixo mais a média do que foi pago com frequência no ano: horas extras, comissões, adicional noturno, insalubridade, periculosidade e gratificações habituais. Vale-transporte, ajuda de custo e outras verbas de reembolso ficam de fora.
2. Conte os meses trabalhados (os "avos")
Cada mês trabalhado vale 1/12 do 13º. Um mês conta inteiro quando o funcionário trabalhou 15 dias ou mais nele. Quem trabalhou o ano todo recebe 12/12, ou seja, um salário inteiro.
3. Faça a conta
13º bruto = (base de cálculo ÷ 12) × meses trabalhados
4. Separe as parcelas
A 1ª parcela é metade do valor bruto. A 2ª é a outra metade, menos o INSS e o Imposto de Renda do funcionário, que são calculados sobre o 13º inteiro. Esses descontos não diminuem o que sai do caixa da empresa: eles apenas mudam quanto vai para o funcionário e quanto vai para o governo.
5. Some os encargos da empresa
Aqui depende do regime tributário:
- Simples Nacional, anexos I, II, III e V: a contribuição patronal já está dentro do DAS. Sobre o 13º, a empresa recolhe à parte o FGTS de 8%.
- Simples Nacional, anexo IV, e Lucro Presumido ou Real: além do FGTS de 8%, entram o INSS patronal de 20%, o RAT e as contribuições a terceiros.
Exemplo prático
Exemplo fictício, com números redondos, para uma empresa do Simples Nacional no anexo III.
A empresa tem dois funcionários, os dois com salário de R$ 3.000 e sem horas extras ou comissões:
| Funcionário | Meses | 13º bruto | 1ª parcela (até 30/11) | FGTS (8%) | Custo total |
|---|---|---|---|---|---|
| Ana, o ano todo | 12/12 | R$ 3.000 | R$ 1.500 | R$ 240 | R$ 3.240 |
| Bruno, admitido em 10/4 | 9/12 | R$ 2.250 | R$ 1.125 | R$ 180 | R$ 2.430 |
| Total | R$ 5.250 | R$ 2.625 | R$ 420 | R$ 5.670 |
Bruno entrou em 10 de abril e trabalhou 21 dias naquele mês. Como passou de 15 dias, abril conta inteiro: de abril a dezembro são 9 meses.
Se essa empresa tivesse separado o dinheiro desde janeiro, seriam R$ 270 por mês só para a Ana (R$ 3.240 ÷ 12). Sem provisão, são R$ 5.670 saindo entre novembro e janeiro.
Como provisionar: quanto separar por mês
Provisionar é separar todo mês uma parte do que você vai pagar no fim do ano. A regra prática:
Provisão mensal = (salário + encargos sobre o 13º) ÷ 12
No Simples (anexos I, II, III e V), isso dá cerca de 9% da folha por mês: 1/12 do salário (8,33%) mais o FGTS sobre esse valor. Faça o mesmo raciocínio para as férias, que têm o terço constitucional e também pesam no caixa.
Três cuidados para a provisão funcionar:
- Conta separada. Dinheiro reservado que fica na mesma conta do dia a dia acaba sendo usado.
- Transferência automática. Agende para o mesmo dia em que você paga a folha.
- Revisão a cada contratação ou aumento. A provisão acompanha a folha.
E se este ano o dinheiro não foi separado?
Ainda dá para organizar até o fim de novembro:
- Calcule o total do 13º mais os encargos de cada funcionário, como no exemplo acima.
- Separe hoje o que já dá em uma reserva à parte.
- Projete o caixa até 18/12, com tudo que entra e sai nesse período.
- Vai faltar? Negocie antes. Converse com fornecedores e com o banco com antecedência. Crédito decidido no último dia costuma sair mais caro.
Erros comuns
- Esquecer o FGTS e os outros encargos na conta.
- Calcular sobre o salário fixo e esquecer as médias de horas extras e comissões.
- Contar errado os meses de quem entrou ou saiu no meio do ano.
- Usar o dinheiro da 2ª parcela para pagar outras contas de dezembro.
Como o Departamento Financeiro ajuda
Na consultoria, a provisão do 13º e das férias entra no seu fluxo de caixa desde janeiro, e você acompanha a reserva pelo Depfy, no celular. Assim, o dinheiro está lá quando o 13º chegar.
Conclusão
O 13º é a conta mais previsível do ano, e por isso não precisa ser um susto. Calcule o valor, some os encargos, separe o que dá agora e comece a provisão de 2027 em janeiro.
Perguntas frequentes
- Funcionário em experiência tem direito ao 13º?
- Sim. O 13º é proporcional aos meses trabalhados, contando o contrato de experiência.
- Posso pagar o 13º em parcela única?
- A lei prevê duas parcelas. Pagar tudo de uma vez em dezembro descumpre o prazo da 1ª parcela, que vence em 30 de novembro.
- O Imposto de Renda do 13º é calculado junto com o salário de dezembro?
- Não. O IR do 13º é calculado separado do salário do mês. A redução de IR que vale desde 2026 para quem ganha até R$ 5 mil (Lei 15.270/2025) também se aplica ao 13º.
- E se eu atrasar o pagamento?
- O atraso pode gerar multa trabalhista. O melhor caminho é se antecipar e negociar o caixa antes do vencimento.
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